domingo, 2 de maio de 2021

 “A árvore da serra

– As árvores, meu filho, não têm alma!
E esta árvore me serve de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!

– Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pôs alma nos cedros... no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minha`alma!...

– Disse – e ajoelhou-se, numa rogativa:
‘Não mate a árvore, pai, para que eu viva!’
E quando a árvore, olhando a pátria serra,

Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra!


*Augusto dos Anjos*
Em “eu E OUTRAS POESIAS”, Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 41ª Edição, 1997.

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